Profanando a dignidade dos sentimentos

Começar a falar sobre isso é algo realmente complicado. Sim, MUITO complicado. E sim, eu tenho uma mania de falar que as coisas são “complicadas” porque, via de regra, são mesmo e ponto, né.

Enfim… pensemos sobre como os sentimentos afetam os comportamentos racionais e como são capazes de influenciar nas decisões mais comuns e cotidianas da vida de uma pessoa. Até aqui, creio que é relativamente fácil exemplificar o que eu quero dizer: preferência pelo bar X ao bar Y, porque o Fulano estará no bar X. Preferência por estudar no horário W e não no horário mais conveniente porque Cicrano estudará no horário W e blablablá. Até aí, fácil, né?

Ok. Agora pensemos num âmbito maior. Como a tentativa de controlar sentimentos pode afetar e influenciar um comportamento geral de um ser humano. Como a repressão e manipulação do lado emocional se torna o fator determinante de atitudes e posições jamais adotadas por uma pessoa normal. A prostração diante da vida é uma delas. Desilusão total e crença na ausência de qualquer característica boa e duradoura também acontece. Claro que não podemos deixar de pensar nesse nosso sistema agitadíssimo de mundo ocidental capitalizado e blablablá. Confesso que exemplificar isso já é mais constrangedor pra mim.

Teorizando tudo isso: negar a paixão pelas pessoas afeta na paixão pelas “coisas”? Mas e a motivação interna? E aquele amor próprio?

Tava lendo há uns dias o Contardo Calligaris falando de um amigo que descobriu que exteriorizando o problema dele, atingiu a melhora espiritual e conseguiu sanar boa parte de seus problemas. E se a solução for exteriorizar?

Entregar-se à paixão de maneira comedida é algo meio “complicado” a se fazer, mas confesso acreditar que isso seja possível. O que é mais problemático é a deslilusão total. Seres humanos são feitos de sonhos… por mais que minha opinião e experiências tentem negar isso a todo o custo.

Acho que a questão maior aqui é que a racionalização e o sonho não são mutuamente exclusivos. A magia do ser humano deve estar nessa maravilhosa conciliação… Nessa coisa de ser complacente consigo mesmo sem medo de se magoar; nessa coisa de consciência e noção do próprio espaço perante o outro; nessa coisa de “sofrer sem sofrer”; nessa coisa de perceber que a passividade nem sempre é algo submisso…

Enfim, acho que o que mais vale nessa questão é a aliança entre a razão e a emoção pela busca do equilíbrio, em respeito ao princípio da Natureza como um todo e, nós, como membros constituintes da mesma, devemos saber em que momento colocar mais/menos peso do lado certo da balança.

apaziguar o interior.

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