Seleção não natural.

Continuando a falar sobre relações humanas hoje.

Como me intriga tudo isso, cara. Chega até a me perturbar às vezes (quase sempre). Todos os dias tento entender, pouco a pouco, o que são condições ideais de convivência, fatores que influem mais ou menos dentro de determinados comportamentos e/ou grupos e todo esse blablablá que permeia o assunto. Como é complicado chegar a uma resposta.

Exemplo prático: vou me usar. Claro, acho que não poderia encontrar exemplo melhor, porque eu falo em primeira pessoa sem medo de errar o relato e com muito medo de errar as conclusões (nesse caso, entenda-se “conclusões” por: processos de idéias que começam como estigmas e se transformam em verdades absolutas até o aparecimento de outro estigma e assim sucessivamente).

Fato que todos buscam alguma coisa nessa vida. Fato que todos buscam, cada um, a sua “coisa”. Daí saem os conflitos, justamente pela divergência de interesses e a falta de capacidade do todo em se manter harmônico frente à essa situação. Ok, deve ser isso.

Falando de coisas que afligem. Diariamente, a minha certeza de que o amanhã faz parte de um processo é minha linha constante de pensamento para me motivar a seguir em frente. Metas, metas e mais metas. Durante esse processo, estou inserida dentro de determinado contexto, convivo com determinadas pessoas e tenho uma determinada rotina. Sair da rotina, mudar as pessoas e o contexto não é, nem de longe, algo legal e correto a se fazer. Coisa de experiência própria, sabe. Cansa ficar mudando radicalmente toda hora, ser aquela coisa fora da lei, sem raízes e blablá. Mas esse é outro assunto. Continuando…

O que fazer? Com quem me envolver? No que acreditar? Por partes…

1. “O que fazer?”
Bom, basicamente, acredito que o mais aceitável e ideal para o momento, seja seguir o código social básico de convivência e procurar ajustar-se ao ambiente. Dá vontade de não fazer isso? Dá… MUITA. Mas… faz parte do processo, então, bora lá.

2. “Com quem me envolver?”
Com as pessoas selecionadas para fazer parte da rotina. Desejo de que haja certa transcendência nisso tudo? EVIDENTE que sim. Fé no ser humano? Pouca. O fator determinante dessa “transcendência” é o tempo, no caso. Irritante essa espera? Claro, porém, necessária e fundamental. Faz parte do processo = necessidade de adaptação.

3. “No que acreditar?”
Cheguei na melhor parte, considerando que as acepções de “acreditar” sejam as seguintes, segundo o Houaiss:

verbo
transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo
1 admitir, aceitar, estar ou ficar convencido da veracidade, existência ou ocorrência de (afirmação, entidade, atributo, fato etc.); crer
Ex.: <é difícil a. (n)o que dizem> <a. em Deus> <jurou, mas não acreditamos>
transitivo indireto
2 supor ou intuir boas intenções, finalidades, com absoluta ou relativa convicção; confiar
Ex.: <acredite nele e empreste o dinheiro> <a. em terapias alternativas>
transitivo indireto
2.1 julgar ou pensar possível ou provável, com esperança, fé ou confiança na realização de (possibilidade ou probabilidade)
Ex.: a. na vitória
transitivo direto e pronominal
3 tornar(-se) digno de estima e confiança
Ex.: <aquele gesto nobre acreditou-a> <acreditou-se definitivamente perante os colegas>
transitivo direto e transitivo direto predicativo
4 Derivação: por extensão de sentido.
dar ou emprestar a (alguém) autoridade para agir em seu nome
Ex.: acreditou-a (como procuradora) para a compra do imóvel
transitivo direto e bitransitivo
4.1 conferir poder ou autoridade a (alguém) para representar país ou instituição perante (país estrangeiro ou outra instituição); credenciar
Ex.: a. um diplomata (junto ao governo estrangeiro)
transitivo direto
5 dar fundamentação, confiança a; abonar, autorizar, confirmar
Ex.: sua experiência acredita nossas afirmações
transitivo direto e transitivo direto predicativo
6 pensar, sem convicção ou certeza; achar, julgar, supor
Ex.: <acredita que não voltará a vê-los> <acreditam relevante a tua contribuição>

Pois é, extremamente plural esse verbinho. Não sei se por culpa das minhas crenças, por culpa do meu estilo de adaptação ou se, simplesmente, por culpa de nada, eu me sinto quase que constantemente deslocada nesse processo adaptativo (preciso encontrar um nome para isso, porque ficar escrevendo “processo adaptativo” a todo momento, enche o saco).

Parece que eu estou sempre no lugar errado e no momento errado. Pretensão da minha parte? Coisíssima nenhuma. Eu nunca tentei tanto ser uma pessoa mais maleável e aceitar os que estão à minha volta. Mas… confesso que é uma tarefa árdua. Creio que parte dos meus questionamentos sobre a ordem humana no mundo se misturam com o meu próprio mundinho aqui, mais um em meio a tantos e tantos outros milhões. É difícil aceitar e entender que existe tanta gente que faz parte da mesma coisa e, cada um, tem seu “micro-cósmo” e toda essa história.

Basicamente, minha alternativa é fantasiar. Fantasiar e fantasiar mais e mais… e o desejo latente é de encontrar alguém que pense como eu. Acho que isso é uma coisa meio universal, né, não só minha. Mas e essas fantasias? Ajudam ou atrapalham? E essa mania de acreditar e desacreditar tão rápido? E essa falta de “encaixe” no presente? Difícil, difícil.

Fantasia aqui, no sentido mais figurado e surreal possível e que não passa do plano imaginário. Sim, imaginário. Isso deve afetar também… “pensar demais”, gastar tempo desenvolvendo teorias sustentadas por detalhes e nano-sinais que cada serzinho nesse meu círculo me fornece e eu acredito ter alguma veracidade na construção dos meus padrões de seleção. É, cada um tem o seu, né. Não diria que o meu é tão criterioso assim, justamente porque, se fosse, eu me isolaria. Assim como qualquer um.

Enfim… perguntas e mais perguntas que, claro, quem poderá me responder: somente o tempo. Agora, se vai demorar ou não, se estarei sã quando a resposta vier, se estarei viva ou não… Aí já são oooutros quinhentos.

Tá, e daí?

Um dos conflitos mais clássicos da existência do homem é razão versus emoção.

Fico impressionada quando percebo a tamanha dificuldade que é administrar esses dois lados tão antitéticos.

O que causa mais dor nessa história toda, é ser obrigado a dar preferência à razão quando a emoção berra 59 milhões de vezes mais alto. Até aí achei que fosse possível conciliar.

Não dá para ser arbitrário com uma coisa dessas. Assumir uma verdade para si mesmo todas as manhãs e tentar conviver com ela, é. Mas não é suficientemente funcional. Quando o castelinho desmorona, meu amigo… a coisa fica feia.

Agora, para complementar, temos a ajuda do catalisador máximo e universal de catástrofes que está em forma de esporo, só esperando as condições favoráveis para se manifestar: o álcool. Não é desculpa para nada mesmo. É fator determinante.

Surpreendentemente irritante a ânsia por querer respostas e controle sobre as coisas. Por que será que não dá para a instabilidade ser confortável?