O barroco tão inerente.

A instabilidade das cousas do mundo
Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Maravilhoso. E só.

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A inspiração expira?

Ao primeiro olhar esse título do post pode parecer muito desconexo e babaca. Mas não é! Garanto que não…

Pensemos agora naqueles momentos em que nos sentimos tocados/sensibilizados/emocionados por alguma coisa. Coisa essa que pode ser QUALQUER mesmo; uma cena comovente, um casal, cachorros, bebês, passarinhos, ideais, sonhos, depoimentos, blablablá.

No momento de contato direto e da sensibilização, uma força parece nos dominar e sentimos que devemos fazer algo por esse mundo, que devemos mudar os hábitos, espalhar sorrisos, fazer caridade e todas aquelas outras coisas que passam por nossa cabeça nessas horas tão oportunas.

Por isso mesmo que parei para analisar isso… “nessas horas tão oportunas”. Horas passam rápido demais! Apenas 60 minutos, 3600 segundos! E o resto? Bom, normalmente, esse sentimento é queimado junto com tantas coisas inúteis que nossa memória curta armazena durante o dia. Sim, vira uma cinza… o braseiro reluz enquanto nossa vista nos matêm em contato com “a coisa” emocionante. Se esse realmente for o problema, deveria existir alguma política de incentivo à doses diárias de imagens comoventes e motivacionais. Ok, grande bobagem.

Mas o que me trouxe até aqui hoje foram as coisas que vi e ouvi durante essas três primeiras semanas que inauguram uma longa, porém veloz, trajetória até o final desse meu querido ano de 2008. Ideais, planos de ação e, principalmente, reflexão sobre onde vamos parar.

Claro que seria impossível transpor pra essa página o turbilhão de idéias que vão e vêm pela minha cabeça agora, ainda mais pelo fato de pairarem sobre mim, pobre mortal, questões exponecialmente maiores do que o significado da minha existência, mas isso não faz com que eu deixe de tentar me situar como ser humano nessa imensidão e tente pensar numa forma de me adaptar.

Basicamente, nossa sociedade tem alguns pilares incontestáveis, como: o consumismo, o individualismo e o materialismo (cópia descarada dos slides do grande professor Leandro, que falou sobre o Islã hoje. Imaginem o quanto eu não parei pra refletir). Esses valores chocam-se abruptamente contra os valores orientais, assustando e deixando os que vêem tudo isso externamente, chocados. Até onde compensa corrermos atrás dos nossos objetivos por uma simples recompensa material? Uma das coisas a se pensar.

Outra: e nossas diferenças? Deve-se instaurar uma hegemonia ou deve-se procurar a tolerância? E o Fundamentalismo? E o Imperialismo contemporâneo (se é que isso existe)? Sim, isso é muito maior do que eu e você juntos. Mas e a nossa parte em tudo isso?

Do grande, vamos ao pequeno. O que podemos fazer? Em relação a esse tipo de conflito de idéias pelo mundo… creio que nada. Não ABSOLUTAMENTE nada, mas nada que vá interferir a curto prazo. Realmente. Podemos fazer muita coisa dentro do nosso universo, mas sem sermos egoístas. Paradoxal? Não.

Só o fato de cada um reconhecer o seu papel dentro de cada contexto, já seria uma vitória. Porque antes de ser um cidadão e participar de uma sociedade, é fundamental a noção do que é ser um humano racional, que tem uma família, um trabalho, objetivos de vida e todas essas coisas que sustentam a existência de PESSOAS.

Partindo daí, na minha opinião, é que se pode abrir as portas para mudanças maiores. Mas a consciência individual não chega fácil… Tanto que, creio eu, a maioria das pessoas encontra-se perdida em meio à esses valores tão desprendidos de sentido, recheados pelo imediatismo e reciclagem constante de princípios. Sendo assim, fica muito mais fácil se desvirtuar por tão pouco. A vulnerabilidade é pulsante e o bom senso, latente demais.

Por isso mesmo que me pergunto: a inspiração expira assim tão fácil? Será que é mesmo tão complicado deixar que aquela tal “força” nos domine por tão pouco tempo? Por favor… isso não é um produto com prazo de validade.

Súplica ao barateamento

Sei que tudo na vida são fases. As coisas passam, independentemente de nossas vontades.

Isso pode soar deliciosamente bem aos nosso ouvidos, como pode ser aterrorizador.

No presente momento, gostaria de ter um controle remoto do tempo e acelerar fases irritantes da vida. Mas como ter certeza que as pessoas certas estarão nela ainda? Apenas vivendo saberemos.

Qual o preço que devemos pagar por cada delito cometido? Qual a forma de pedir desculpas por algo indesejado? O que fazer quando se tem uma vontade proibida? E quando se deseja superar os obstáculos mais improváveis? São perguntas relativas, se analisarmos bem… mas podem nos dizer algo, lá no fundo, se pensarmos com cuidado.

Reparar erros e escorregões é sempre, sempre, sempre e invariavelmente uma tarefa difícil e árdua. Se a dificuldade de repará-los é tão grande, por que cometê-los? Existem mil explicações para tal: momento específico; influências; falta de auto-afrimação; o inconsciente; etc. A importância é saber que existem limites.

Se dar conta de uma mancada e tentar algum conserto às vezes soa como falsidade ou pura diplomacia. Como agir em tal situação? Não sei.

Parte formadora do crescimento intelectual e social do homem: o ERRAR é fundamental. Mas e o maldito preço? O PREÇO! Por que custa tão caro?

Amizades são para a vida inteira. Reavalie se realmente vale a pena colocá-las em jogo. Sempre custa caro…

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