Conseqüências da culpa da inexperiência? (culpa?)

Uma avalanche de acontecimentos, obviamente, aconteceram. E COMO aconteceram. A intesidade dos últimos, então… não sei como medir o impacto deles em minha vida.

Basicamente, a imprevisibilidade do amanhã é o que mais me instiga. Perturbadora é a definição correta para a maneira com que tive que aprender a lidar com coisas inesperadas, contornar, reavaliar a vida, adaptar a minha visão das coisas, mudar meu comportamento.

Na maioria das vezes, aprender a lidar com coisas inesperadas, contornar, reavaliar a vida, adaptar a visão das coisas, mudar o comportamento, são passos que se aprendem ao longo de uma vida inteira E existem casos em que isso acontece pausadamente, de uma vez só, em eventos sucessórios. Fantástico. Resuminho: ou a pessoa tem a sorte de ter a oportunidade de receber o impacto lerdamente (assim poderia ser chamado de impacto?), em cada fase da vida, ou não. Ela recebe em doses homeopáticas, só que tudo em apenas uma bolinha de açúcar.

Não sei dizer se a vida vai ficando mais leve ou mais pesada. Depende de como a interpretação é concebida.

No momento, acho que não me compete narrar minha história pessoal, mas apenas deixar registradas as pequenas lições que “aparecem no ar” e nos pegam de surpresa… e, claro, não há como recusar a validade delas diante da vida como um todo.

1. Tolerância
2. Autonomia (no sentido de valorizá-la a cada atitude)
3. Paciência (realmente, uma grande virtude)
4. Adaptação
5. Aceitação (O problema não está na imutabilidade das coisas e sim em como lidamos com o fato de serem imutáveis)

E por aí vai… talvez até seja legal dar continuidade a essa série. Mas, para o momento, acho que está ótimo. Engraçado… são coisas que nos permeiam o tempo todo e que quase ninguém fala sobre ou ao menos pensa quando lida diretamente com uma situação que necessita (quase) plenamente de uma dessas características.

Por que necessitamos de um estado limítrofe para poder refletir e mudar nosso comportamento? Por que precisamos de uma pausa cega para enxergar o que, constantemente, esta diante de nossos olhos?

Teorias… teorias e teorias…

Lebre e a tartaruga

Bem rápido: se a motivação depende de um modelo externo temporário, por que não escolher o melhor modelo?

Rapidíssimo: se a motivação depende da troca, por que não escolher o mais rico para se trocar?

Célere como a ema selvagem: se a motivação depende da competição com o modelo, por que não escolher o mais competitivo?

V = c: se o modelo não achar o mesmo de você?

Vagarosamente: relacionamentos são realmente redutíveis a essas condições? :\

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Profanando a dignidade dos sentimentos

Começar a falar sobre isso é algo realmente complicado. Sim, MUITO complicado. E sim, eu tenho uma mania de falar que as coisas são “complicadas” porque, via de regra, são mesmo e ponto, né.

Enfim… pensemos sobre como os sentimentos afetam os comportamentos racionais e como são capazes de influenciar nas decisões mais comuns e cotidianas da vida de uma pessoa. Até aqui, creio que é relativamente fácil exemplificar o que eu quero dizer: preferência pelo bar X ao bar Y, porque o Fulano estará no bar X. Preferência por estudar no horário W e não no horário mais conveniente porque Cicrano estudará no horário W e blablablá. Até aí, fácil, né?

Ok. Agora pensemos num âmbito maior. Como a tentativa de controlar sentimentos pode afetar e influenciar um comportamento geral de um ser humano. Como a repressão e manipulação do lado emocional se torna o fator determinante de atitudes e posições jamais adotadas por uma pessoa normal. A prostração diante da vida é uma delas. Desilusão total e crença na ausência de qualquer característica boa e duradoura também acontece. Claro que não podemos deixar de pensar nesse nosso sistema agitadíssimo de mundo ocidental capitalizado e blablablá. Confesso que exemplificar isso já é mais constrangedor pra mim.

Teorizando tudo isso: negar a paixão pelas pessoas afeta na paixão pelas “coisas”? Mas e a motivação interna? E aquele amor próprio?

Tava lendo há uns dias o Contardo Calligaris falando de um amigo que descobriu que exteriorizando o problema dele, atingiu a melhora espiritual e conseguiu sanar boa parte de seus problemas. E se a solução for exteriorizar?

Entregar-se à paixão de maneira comedida é algo meio “complicado” a se fazer, mas confesso acreditar que isso seja possível. O que é mais problemático é a deslilusão total. Seres humanos são feitos de sonhos… por mais que minha opinião e experiências tentem negar isso a todo o custo.

Acho que a questão maior aqui é que a racionalização e o sonho não são mutuamente exclusivos. A magia do ser humano deve estar nessa maravilhosa conciliação… Nessa coisa de ser complacente consigo mesmo sem medo de se magoar; nessa coisa de consciência e noção do próprio espaço perante o outro; nessa coisa de “sofrer sem sofrer”; nessa coisa de perceber que a passividade nem sempre é algo submisso…

Enfim, acho que o que mais vale nessa questão é a aliança entre a razão e a emoção pela busca do equilíbrio, em respeito ao princípio da Natureza como um todo e, nós, como membros constituintes da mesma, devemos saber em que momento colocar mais/menos peso do lado certo da balança.

apaziguar o interior.

Hiato espiritual.

Às vezes fico extremamente impressionada de perceber o quanto pequenas coisas podem mudar a rotina. Uma soneca um pouco mais longa, escutar rádio (tanto tempo que não ouvia), uma música linda em loop infinito, escolher qualquer roupa no armário para vestir (sem culpa), pensar nos planos para o final de semana sem medo de imaginar que vai ser o melhor de todos…

Coragem pra quebrar a labuta apenas com pensamentos. Conseguir se transportar pra longe desse esquema tão São Paulo pra um esquema tão “você, identidade” é foda.

Fico feliz, fico em hiato. Até as horas conseguem passar mais devagar do que o normal… só pra fazer com que o gostinho desse momento tão rápido se disfarce em algo um pouco mais duradouro e saboreável. Pensar em nada parece fácil agora.

;D

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Seleção não natural.

Continuando a falar sobre relações humanas hoje.

Como me intriga tudo isso, cara. Chega até a me perturbar às vezes (quase sempre). Todos os dias tento entender, pouco a pouco, o que são condições ideais de convivência, fatores que influem mais ou menos dentro de determinados comportamentos e/ou grupos e todo esse blablablá que permeia o assunto. Como é complicado chegar a uma resposta.

Exemplo prático: vou me usar. Claro, acho que não poderia encontrar exemplo melhor, porque eu falo em primeira pessoa sem medo de errar o relato e com muito medo de errar as conclusões (nesse caso, entenda-se “conclusões” por: processos de idéias que começam como estigmas e se transformam em verdades absolutas até o aparecimento de outro estigma e assim sucessivamente).

Fato que todos buscam alguma coisa nessa vida. Fato que todos buscam, cada um, a sua “coisa”. Daí saem os conflitos, justamente pela divergência de interesses e a falta de capacidade do todo em se manter harmônico frente à essa situação. Ok, deve ser isso.

Falando de coisas que afligem. Diariamente, a minha certeza de que o amanhã faz parte de um processo é minha linha constante de pensamento para me motivar a seguir em frente. Metas, metas e mais metas. Durante esse processo, estou inserida dentro de determinado contexto, convivo com determinadas pessoas e tenho uma determinada rotina. Sair da rotina, mudar as pessoas e o contexto não é, nem de longe, algo legal e correto a se fazer. Coisa de experiência própria, sabe. Cansa ficar mudando radicalmente toda hora, ser aquela coisa fora da lei, sem raízes e blablá. Mas esse é outro assunto. Continuando…

O que fazer? Com quem me envolver? No que acreditar? Por partes…

1. “O que fazer?”
Bom, basicamente, acredito que o mais aceitável e ideal para o momento, seja seguir o código social básico de convivência e procurar ajustar-se ao ambiente. Dá vontade de não fazer isso? Dá… MUITA. Mas… faz parte do processo, então, bora lá.

2. “Com quem me envolver?”
Com as pessoas selecionadas para fazer parte da rotina. Desejo de que haja certa transcendência nisso tudo? EVIDENTE que sim. Fé no ser humano? Pouca. O fator determinante dessa “transcendência” é o tempo, no caso. Irritante essa espera? Claro, porém, necessária e fundamental. Faz parte do processo = necessidade de adaptação.

3. “No que acreditar?”
Cheguei na melhor parte, considerando que as acepções de “acreditar” sejam as seguintes, segundo o Houaiss:

verbo
transitivo direto, transitivo indireto e intransitivo
1 admitir, aceitar, estar ou ficar convencido da veracidade, existência ou ocorrência de (afirmação, entidade, atributo, fato etc.); crer
Ex.: <é difícil a. (n)o que dizem> <a. em Deus> <jurou, mas não acreditamos>
transitivo indireto
2 supor ou intuir boas intenções, finalidades, com absoluta ou relativa convicção; confiar
Ex.: <acredite nele e empreste o dinheiro> <a. em terapias alternativas>
transitivo indireto
2.1 julgar ou pensar possível ou provável, com esperança, fé ou confiança na realização de (possibilidade ou probabilidade)
Ex.: a. na vitória
transitivo direto e pronominal
3 tornar(-se) digno de estima e confiança
Ex.: <aquele gesto nobre acreditou-a> <acreditou-se definitivamente perante os colegas>
transitivo direto e transitivo direto predicativo
4 Derivação: por extensão de sentido.
dar ou emprestar a (alguém) autoridade para agir em seu nome
Ex.: acreditou-a (como procuradora) para a compra do imóvel
transitivo direto e bitransitivo
4.1 conferir poder ou autoridade a (alguém) para representar país ou instituição perante (país estrangeiro ou outra instituição); credenciar
Ex.: a. um diplomata (junto ao governo estrangeiro)
transitivo direto
5 dar fundamentação, confiança a; abonar, autorizar, confirmar
Ex.: sua experiência acredita nossas afirmações
transitivo direto e transitivo direto predicativo
6 pensar, sem convicção ou certeza; achar, julgar, supor
Ex.: <acredita que não voltará a vê-los> <acreditam relevante a tua contribuição>

Pois é, extremamente plural esse verbinho. Não sei se por culpa das minhas crenças, por culpa do meu estilo de adaptação ou se, simplesmente, por culpa de nada, eu me sinto quase que constantemente deslocada nesse processo adaptativo (preciso encontrar um nome para isso, porque ficar escrevendo “processo adaptativo” a todo momento, enche o saco).

Parece que eu estou sempre no lugar errado e no momento errado. Pretensão da minha parte? Coisíssima nenhuma. Eu nunca tentei tanto ser uma pessoa mais maleável e aceitar os que estão à minha volta. Mas… confesso que é uma tarefa árdua. Creio que parte dos meus questionamentos sobre a ordem humana no mundo se misturam com o meu próprio mundinho aqui, mais um em meio a tantos e tantos outros milhões. É difícil aceitar e entender que existe tanta gente que faz parte da mesma coisa e, cada um, tem seu “micro-cósmo” e toda essa história.

Basicamente, minha alternativa é fantasiar. Fantasiar e fantasiar mais e mais… e o desejo latente é de encontrar alguém que pense como eu. Acho que isso é uma coisa meio universal, né, não só minha. Mas e essas fantasias? Ajudam ou atrapalham? E essa mania de acreditar e desacreditar tão rápido? E essa falta de “encaixe” no presente? Difícil, difícil.

Fantasia aqui, no sentido mais figurado e surreal possível e que não passa do plano imaginário. Sim, imaginário. Isso deve afetar também… “pensar demais”, gastar tempo desenvolvendo teorias sustentadas por detalhes e nano-sinais que cada serzinho nesse meu círculo me fornece e eu acredito ter alguma veracidade na construção dos meus padrões de seleção. É, cada um tem o seu, né. Não diria que o meu é tão criterioso assim, justamente porque, se fosse, eu me isolaria. Assim como qualquer um.

Enfim… perguntas e mais perguntas que, claro, quem poderá me responder: somente o tempo. Agora, se vai demorar ou não, se estarei sã quando a resposta vier, se estarei viva ou não… Aí já são oooutros quinhentos.

Tá, e daí?

Um dos conflitos mais clássicos da existência do homem é razão versus emoção.

Fico impressionada quando percebo a tamanha dificuldade que é administrar esses dois lados tão antitéticos.

O que causa mais dor nessa história toda, é ser obrigado a dar preferência à razão quando a emoção berra 59 milhões de vezes mais alto. Até aí achei que fosse possível conciliar.

Não dá para ser arbitrário com uma coisa dessas. Assumir uma verdade para si mesmo todas as manhãs e tentar conviver com ela, é. Mas não é suficientemente funcional. Quando o castelinho desmorona, meu amigo… a coisa fica feia.

Agora, para complementar, temos a ajuda do catalisador máximo e universal de catástrofes que está em forma de esporo, só esperando as condições favoráveis para se manifestar: o álcool. Não é desculpa para nada mesmo. É fator determinante.

Surpreendentemente irritante a ânsia por querer respostas e controle sobre as coisas. Por que será que não dá para a instabilidade ser confortável?

O barroco tão inerente.

A instabilidade das cousas do mundo
Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia,
Depois da Luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.

Porém se acaba o Sol, por que nascia?
Se é tão formosa a Luz, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?

Mas no Sol, e na Luz falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.

Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.

Maravilhoso. E só.

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A inspiração expira?

Ao primeiro olhar esse título do post pode parecer muito desconexo e babaca. Mas não é! Garanto que não…

Pensemos agora naqueles momentos em que nos sentimos tocados/sensibilizados/emocionados por alguma coisa. Coisa essa que pode ser QUALQUER mesmo; uma cena comovente, um casal, cachorros, bebês, passarinhos, ideais, sonhos, depoimentos, blablablá.

No momento de contato direto e da sensibilização, uma força parece nos dominar e sentimos que devemos fazer algo por esse mundo, que devemos mudar os hábitos, espalhar sorrisos, fazer caridade e todas aquelas outras coisas que passam por nossa cabeça nessas horas tão oportunas.

Por isso mesmo que parei para analisar isso… “nessas horas tão oportunas”. Horas passam rápido demais! Apenas 60 minutos, 3600 segundos! E o resto? Bom, normalmente, esse sentimento é queimado junto com tantas coisas inúteis que nossa memória curta armazena durante o dia. Sim, vira uma cinza… o braseiro reluz enquanto nossa vista nos matêm em contato com “a coisa” emocionante. Se esse realmente for o problema, deveria existir alguma política de incentivo à doses diárias de imagens comoventes e motivacionais. Ok, grande bobagem.

Mas o que me trouxe até aqui hoje foram as coisas que vi e ouvi durante essas três primeiras semanas que inauguram uma longa, porém veloz, trajetória até o final desse meu querido ano de 2008. Ideais, planos de ação e, principalmente, reflexão sobre onde vamos parar.

Claro que seria impossível transpor pra essa página o turbilhão de idéias que vão e vêm pela minha cabeça agora, ainda mais pelo fato de pairarem sobre mim, pobre mortal, questões exponecialmente maiores do que o significado da minha existência, mas isso não faz com que eu deixe de tentar me situar como ser humano nessa imensidão e tente pensar numa forma de me adaptar.

Basicamente, nossa sociedade tem alguns pilares incontestáveis, como: o consumismo, o individualismo e o materialismo (cópia descarada dos slides do grande professor Leandro, que falou sobre o Islã hoje. Imaginem o quanto eu não parei pra refletir). Esses valores chocam-se abruptamente contra os valores orientais, assustando e deixando os que vêem tudo isso externamente, chocados. Até onde compensa corrermos atrás dos nossos objetivos por uma simples recompensa material? Uma das coisas a se pensar.

Outra: e nossas diferenças? Deve-se instaurar uma hegemonia ou deve-se procurar a tolerância? E o Fundamentalismo? E o Imperialismo contemporâneo (se é que isso existe)? Sim, isso é muito maior do que eu e você juntos. Mas e a nossa parte em tudo isso?

Do grande, vamos ao pequeno. O que podemos fazer? Em relação a esse tipo de conflito de idéias pelo mundo… creio que nada. Não ABSOLUTAMENTE nada, mas nada que vá interferir a curto prazo. Realmente. Podemos fazer muita coisa dentro do nosso universo, mas sem sermos egoístas. Paradoxal? Não.

Só o fato de cada um reconhecer o seu papel dentro de cada contexto, já seria uma vitória. Porque antes de ser um cidadão e participar de uma sociedade, é fundamental a noção do que é ser um humano racional, que tem uma família, um trabalho, objetivos de vida e todas essas coisas que sustentam a existência de PESSOAS.

Partindo daí, na minha opinião, é que se pode abrir as portas para mudanças maiores. Mas a consciência individual não chega fácil… Tanto que, creio eu, a maioria das pessoas encontra-se perdida em meio à esses valores tão desprendidos de sentido, recheados pelo imediatismo e reciclagem constante de princípios. Sendo assim, fica muito mais fácil se desvirtuar por tão pouco. A vulnerabilidade é pulsante e o bom senso, latente demais.

Por isso mesmo que me pergunto: a inspiração expira assim tão fácil? Será que é mesmo tão complicado deixar que aquela tal “força” nos domine por tão pouco tempo? Por favor… isso não é um produto com prazo de validade.

Súplica ao barateamento

Sei que tudo na vida são fases. As coisas passam, independentemente de nossas vontades.

Isso pode soar deliciosamente bem aos nosso ouvidos, como pode ser aterrorizador.

No presente momento, gostaria de ter um controle remoto do tempo e acelerar fases irritantes da vida. Mas como ter certeza que as pessoas certas estarão nela ainda? Apenas vivendo saberemos.

Qual o preço que devemos pagar por cada delito cometido? Qual a forma de pedir desculpas por algo indesejado? O que fazer quando se tem uma vontade proibida? E quando se deseja superar os obstáculos mais improváveis? São perguntas relativas, se analisarmos bem… mas podem nos dizer algo, lá no fundo, se pensarmos com cuidado.

Reparar erros e escorregões é sempre, sempre, sempre e invariavelmente uma tarefa difícil e árdua. Se a dificuldade de repará-los é tão grande, por que cometê-los? Existem mil explicações para tal: momento específico; influências; falta de auto-afrimação; o inconsciente; etc. A importância é saber que existem limites.

Se dar conta de uma mancada e tentar algum conserto às vezes soa como falsidade ou pura diplomacia. Como agir em tal situação? Não sei.

Parte formadora do crescimento intelectual e social do homem: o ERRAR é fundamental. Mas e o maldito preço? O PREÇO! Por que custa tão caro?

Amizades são para a vida inteira. Reavalie se realmente vale a pena colocá-las em jogo. Sempre custa caro…

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Bebedeiras de sábado…

Neste sábado último, fui comemorar a efemeridade da vida num bar, junto com mais alguns beberrões plantonistas nesse início tão “cameloso” do ano.

Risadas incontáveis, tombos, queimaduras de isqueiro, pesquisas sobre tabaco, guerra de cerveja, arremesso de sal (?), pizzas, copos quebrados, e tudo o que podemos figurar num bar à beira da Av. Paulista, numa tarde/noite de sábado.

Mas em meio ao caos, apareceram dois “mendigos” que me provocaram reflexão. Coloquei “mendigo” entre aspas porque, realmente, acho um termo marginalizado demais para definir pessoas que, apesar de tudo, estão em busca de dignidade. Alguns não, evidentemente.

O primeiro deles foi o João, quase um José. Ele entoava uma espécie de mantra interminável, mais ou menos assim:

“Seja homem. Todo homem é homem. Seja homem em qualquer lugar do mundo. Todo homem é homem.”

João aparentava estar altamente ébrio, mas, assim como eu, ninguém da mesa sentiu qualquer resquício de álcool vindo dele. Trajava uma roupa cinco vezes maior que seu corpo, bem desgastada, num verde/cinza pálido, totalmente sem vida. Pediu um cigarro e continuou a proferir suas palavras. Como era de se esperar, o garçom e o gerente fizeram a mobilização para a expulsão (queria usar o termo “retirada”, mas eles foram grossos o suficiente para expulsarem) de João. Chegou a comentar alguma coisa sobre sua mãe, que, na confusão, mal deu para ouvir. Cabe agora tentar encotrar alguma coerência em suas palavras. Eu não acredito que falasse aquilo à toa… Não mesmo. Seu rosto denunciava a passagem de mais de meio século e seu olhar permaneceu firme, apesar de nublado pelo sofrimento, talvez. João parece ter sido um quase galã durante sua juventude, mas fiquei sem dados sobre essa parte.

“Seja homem”. Mais do que necessário na nossa sociedade. Acho que vocês acompanham a degradação paulatina (ou não) do caráter e comportamento das pessoas, principalmente em uma grande metrópole, regada de valores instantâneos, moldados numa volta de relógio. Se lembrarmos do que lemos e estudamos (alguns até viveram), antigamente existia a honra e a palavra. E hoje?

“Todo homem é homem”. Essa parte aborda toda a essência que nunca morre, apesar de ser tão camuflada que quase se extingue. Mas existe, está alí e precisa ser remexida e trazida para a realidade. Hombridade, meus amigos.

“Seja homem em qualquer lugar do mundo”. Evidente apelo à permanência do homem universal, que engloba os valores-passaporte para o entendimento e troca, para a comunicação em si. Diplomacia, talvez?

Isso tudo pode aparentar ser um pouco profundo para apenas um “mendigo”, mas eu mantenho minha crença de que eles enlouqueceram ou estão à beira de enlouquecer justamente por terem captado o sentido disso tudo. Não de completamente todas as verdades, mas creio que a loucura não é um produto gratuito. Ou perderam as estribeiras por tentarem entender e nunca conseguirem, justamente pela marginalização inconseqüente.

Outro personagem que participou da roda, foi Luiz Carlos. Levava a música consigo. Cantamos Trem das Onze juntos e quando tentei perguntar alguma coisa para ele, pediu para deixá-lo terminar de cantar outra canção que eu desconhecia. Quando o gerente veio expulsá-lo, assim como fez com João, Carlos exigiu respeito dizendo: “Sou pai e avô, não venha me tirar daqui!”. Ele também pediu um cigarro e tentou enturmar-se conosco, por minha culpa, admito, pois tive a idéia de perguntar o nome dele, como perguntei para João.

Incrível como pessoas que passam despercebidas, que são retiradas dos lugares, que não recebem confiança, têm coisas para contar e transmitir. Acredito que a lucidez mais aparente de Luiz Carlos se deva ao fato da música acompanhá-lo, a primeira arte de todas as outras, a que rege o mundo, na minha opinião. Uma pessoa que não canta, que não se emociona, que não vibra com choro ou felicidade ao ouvir/cantar uma canção, tem um parafuso a menos. E desses parafusos que fazem falta e incomodam mesmo a quem não os têm. E Carlos os tinha.

Não quero questionar as razões deles existirem nas ruas. Não quero saber se é culpa do governo, culpa deles que não correm atrás, culpa da sociedade, culpa da família… Não quero questionar isso agora. Quero apenas colocar que eu aprendi uma lição: todo homem merece respeito. Ambos estavam tentanto resgatar sua dignidade ausente. Por motivo de perda ou roubo? Já não sei. E não me importa. Todo homem merece respeito.

Homens que são homens.